Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de uma Alquimista

blog pessoal de andreia gonçalves

Diário de uma Alquimista

blog pessoal de andreia gonçalves

28 de Julho, 2019

Para que serve o tónico? Dica da semana #2

Andreia Gonçalves

Há muita gente que me pergunta para que serve o tónico. Vou tentar responder a esta questão, demonstrando-vos como este passo é tão importante na nossa rotina diária e, ao mesmo tempo, tão desvalorizado.

Os cuidados de beleza da nossa pele começam com a limpeza. Um rosto limpo e livre de resíduos de maquilhagem todos os dias é um passo essencial para todos os tipos de pele, tal como já falei aqui. Mas ao limpar a pele também eliminamos o nosso filme hidrolípidico. É aqui que entra o tónico.

A superfície da nossa pele é coberta por um filme hidrolipídico, que nos protege das agressões do meio externo, da desidratação e é constituído por uma mistura proveniente do suor e da secreção sebácea. É este filme hidrolipidico que determina o nosso tipo de pele, pois quando tem lípidos em excesso temos uma pele oleosa, quando tem menos torna a pele mais seca.

O filme hidrolipídico tem um PH ácido, por volta de 5-6, que cumpre a função protetora, pois inibe o desenvolvimento de bactérias e fungos existentes na pele. Quando limpamos a pele (com desmaquilhantes, leites ou águas micelares), os produtos de limpeza deixam a pele com um pH mais elevado, à volta do número 7. Este PH é permite desenvolvimento de bactérias, obstrução dos poros, favorecendo por exemplo o envelhecimento precoce.  O que o tónico vai fazer é baixar novamente o PH da nossa pele para os 5-6 para que a sua barreira protetora continue forte.

O tónico finaliza a limpeza da pele e deixa os poros livres para que os produtos que coloque a seguir consigam penetrar melhor. Por isso, tónico é indispensável no seu dia-a-dia porque prepara a pele para a dose de produtos que aplicam (hidratantes, séruns, máscaras e cremes de tratamento).

Como usar o tónico?

Não é nada de muito complicado e é capaz de ser a etapa mais simples da sua rotina de limpeza. Há quem diga que o tónico deve ser usado não só ao fim do dia, mas também de manhã para repor o pH que se perde durante a noite. Mas se, pelo menos, o aplicar à noite depois da limpeza diária, já está no caminho certo.

Como usar? É simples: depois da limpeza feita e do rosto bem limpo e seco, basta humedecer um disco de algodão com tónico e aplicar com leves batidas no rosto e deixar secar naturalmente. Sem esfregar. Depois é só aplicar um hidratante.

A água floral é um subproduto obtido a partir do processo de destilação na extração dos óleos essenciais que contém uma percentagem de óleo essencial e outros elementos bioativos da planta. Uma das utilizações da água floral é como tónico. Apresento aqui as sugestões da Branquinha Cosmética Natural para cada tipo de pele:

ÁGUA FLORAL DE ESTEVA 

Esta água floral é indicada para peles maduras e reativas. Pode aplicar numa ferida ou para aliviar picada de insetos. Pode ser ainda usado em compressas quentes ou frias ou para difusor de ar.

ÁGUA FLORAL DE LAVANDA

A lavanda é conhecida por ser antisséptica, analgésica e cicatrizante, tornando esta água floral um excelente tónico para peles oleosas com acne. Acalma a pele irritada e sensível. Esta água é recomendada para peles frágeis, para apaziguar o corpo apos queimaduras solares ou picadas de insetos. Esta água floral pode ainda ser usada no difusor para perfumar a casa ou ser pulverizada na roupa.

ÁGUA FLORAL DE EUCALIPTO

Tónico da pele, especialmente indicado para peles oleosas ou mistas com tendência a acne. Reafirma peles flácidas, trata peles inflamadas e com prurido. Esta água floral é purificante e utilizada em peles com problemas, pele irritada. Pode ser ainda usado em difusores de ar.

ÁGUA FLORAL DE FLOR DE LARANJEIRA

Com um aroma floral, este hidrolato refresca, regenera e acalma a pele; é particularmente adequado para a pele seca. É também usado para as suas propriedades no sistema nervoso: ajuda a dormir.

 

18 de Julho, 2019

Partilhar, comunicar, empreender – o que aprendi com isto - 2ª parte

Andreia Gonçalves

2º Encontro com Alma – Memorável, Personal Branding Day

Se o primeiro tinha tido um grande impacto em mim, as expetativas para o segundo Encontro com Alma eram muito altas. Foi a vez de descobrir a minha marca pessoal com a Susana da blesspersonalbranding.

Na maioria das vezes não damos valor ao que já fizemos e a tudo aquilo que vamos conquistando. Aliás, na maior parte das vezes nem paramos para pensar nas nossas conquistas ao longo da vida. Não damos valor a nós próprios. E não precisamos de ter um emprego de sonho ou sermos o Cristiano Ronaldo ou a Cristina Ferreira!

A Susana desafiou-nos a desenhar a nossa linha do tempo, desde o nascimento até à atualidade, e a colocar nessa linha os eventos que nos marcaram. No fim cada um de nós tinha desenhado a história da sua vida e todos descobrimos que afinal tínhamos conquistas, sonhos concretizados e tantos planos para o futuro. Tal como no primeiro encontro, o momento foi intenso e de entrega entre os presentes! Mas o que se passa dentro dos encontros, fica lá!

É mais fácil que os outros vejam isso em nós do que nós próprios. Cada um de nós tem a sua marca pessoal, isto é, tem um conjunto de características, talentos, aptidões, qualidades (e defeitos, obviamente!) que fazem de nós pessoas únicas. É preciso descobrirmos como os outros nos veem para conseguirmos potenciar isso para conseguirmos tomar as decisões certas no rumo da nossa vida!

A Susana da blesspersonalbranding ensinou-nos a rever essas qualidades em nós através de uma espécie de modelo kanvas. Depois levou-nos a descobrir os arquétipos que exercem uma enorme influência nas nossas emoções e nas ações. Descobri então que sou uma pessoa ordinária, não no sentido porno da palavra, mas por ser uma pessoa comum, com um toque de joker (bobo da corte) e uma pitada de cuidador. Não vou explicar o que significa porque ia perder a piada. Digo-vos que estes truques ajudaram-me a fortalecer a minha imagem, a forma como me apresento e de alguma forma a minha confiança! Ficam só com pena de ter perdido este Encontro com Alma!

15 de Julho, 2019

Partilhar, comunicar, empreender – o que aprendi com isto - 1ª parte

Andreia Gonçalves

Há muito tempo que tinha vontade de fazer isto. Faltou aquele click, sempre. Faltou muitas vezes a inspiração, o não saber por onde começar quando na cabeça as ideias fervilhavam tanto. E depois o medo. Medo de não ser capaz, falta de confiança, falta de tempo…podia enumerar mil e uma justificações e nunca chegar a uma conclusão.

A minha amiga Susana Lopes, da Com Alma – Creative Studio, criou um projeto designado de Encontros com Alma – partilhar, comunicar e empreender, uma espécie de workshops com temas nas áreas da comunicação, do coaching e do marketing, muito interessantes para mim e que é raro encontrar no interior, muito menos em Proença-a-Nova. Portanto, logo que saíram as inscrições, apressei-me a reservar o lugar!

Estou uma fase da minha vida que ponho tudo em causa. Está tudo a acontecer tudo tão rápido, que não me dá tempo para pensar. Não sei para onde vou ou para onde quero ir. É estúpido porque sempre fui muito decidida. Sempre soube o que queria ser quando fosse grande, por exemplo.

1º Encontro com Alma – Marcas, histórias de pessoas

O primeiro encontro foi sobre marketing, mais concretamente sobre marcas e foi orientado pela Susana da Com Alma – Creative Studio.  Há uns anos criei uma marca, a Branquinha Cosmética Natural. Apesar de não estar a ouvir nenhuma novidade em termos de conceitos de marketing, este encontro serviu para perceber que afinal estou no caminho certo. E a forma como a Susana Lopes apresentou o tema deixou a minha cabeça a fervilhar de ideias ainda antes da hora de almoço. De acordo com ela, as marcas contam uma história e a identificação pessoal com essa história é que determina a escolha do consumidor. Uma marca não se resume a um logotipo ou a um produto: é muito mais do que isso. Reflete a história de alguém que sonhou e concretizou e que ao longo do tempo vai gerando emoções no público. Foi precisamente a pensar nisto que se baseou o meu projeto. A Branquinha Cosmética Natural é mais do que a marca de cosméticos naturais artesanais. Além de produzir produtos saudáveis, a ideia é proporcionar uma experiencia única de bem-estar, aliada às propriedades medicinais das plantas e matérias-primas naturais. Se podemos ter cosméticos verdadeiros, porquê usar os artificiais?  E o nome nasceu da minha história pessoal: do meu tom de pele muito claro e de ser apelidada de “branquinha” por alguns amigos e porque o primeiro sabão com leite de cabra que fiz, era leita da cabra Branquinha. Esta é uma das minhas alquimias, entendem? Realmente tudo se alinha quando tem de ser!

A generosidade com que cada participante contou a sua história e as suas ideias (algumas dessas ideias de um possível negócio apenas moravam na imaginação) perante desconhecidos foi uma grande lição para mim. Enquanto ainda por cá andamos, ainda é tempo para avançar, mesmo que haja muita gente que nos quer mandar abaixo! Nunca é tarde! Foi essa cumplicidade que criamos entre todos que tornou este primeiro encontro autêntico. Uma espécie de seita, como começamos a ser conhecidos.

Conclusão: vim para casa e demorei algumas horas a recuperar! Já pensei tantas vezes em acabar com o projeto, por inúmeras razoes: não é um projeto a tempo inteiro, o que faz com que ande sempre numa luta diária para ter a produção em dia, o trabalho também condiciona a participação em feiras, eventos e outras iniciativas e depois o investimento necessário para dar o salto, além de outras burocracias legais, que me fazem estar entre a espada e a parede sem conseguir avançar porque é um projeto condenado à nascença. Tenho consciência de que para ter lucro teria de produzir em grande escala, uma ideia que não me seduz porque perdia a génese do projeto, do meu conceito e daquilo que gostava que a marca fosse.

O que é certo é que cada vez que reflito sobre o assunto há sempre algo que me “puxa” e não me deixa desistir, faz-me acreditar mais um bocadinho. De maneiras que continuo a deixar as coisas rolar! E com as encomendas atrasadas (as minhas clientes são umas santas, ámen!)

Se o primeiro tinha tido um grande impacto em mim, as expetativas para o segundo Encontro com Alma eram muito altas. Foi a vez de descobrir a minha marca pessoal com a Susana da blesspersonalbranding (continua...)

10 de Julho, 2019

Juntos pela tigelada

Andreia Gonçalves

Ganhámos! A tigelada de Proença-a-Nova passou a fase distrital do concurso 7 maravilhas doces de Portugal e é agora pré-finalista. Foi ontem. As emoções ainda estão ao rubro. Ainda não estou em mim. Foi o culminar de vários meses de trabalho e a prova de que o esforço, a dedicação e o trabalho de equipa valem a pena! Foi um dia cheio e estas fotos resumem aquilo que vivemos, mas só quem lá esteve é que sentiu a emoção de lutarmos por Proença a-Nova!

Tive o privilégio de integrar a equipa responsável pela candidatura da tigelada de Proença-a-Nova ao concurso. As fases até aqui foram igualmente emocionantes de cada vez que recebíamos essa informação. Mas a vitória distrital teve um gosto especial porque estivemos presentes num programa de televisão, onde disputámos o lugar face a seis grandes concorrentes. 

Valeu a pena as longas horas de pé nas várias iniciativas que promovemos, as frases repetidas vezes sem fim “já provou a tigelada de Proença-a-Nova?” ou “já votou na nossa tigelada?”, as poucas horas dormidas, o cansaço (que foi, em parte, responsável pela minha falha nos objetivos da última prova de atletismo). Valeu tudo a pena! E mesmo que não tivéssemos passado à próxima fase, estávamos de consciência tranquila de que fizemos um excelente trabalho. E não posso deixar de agradecer a todos os que nos ouviram, aqueles que se esforçaram e a todos os que votaram em nós!

O caminho até aqui foi duro, intenso. Todo o grupo se dedicou à causa. Foi bonito ver a grande maioria dos agentes económicos do concelho unidos por esta causa. As redes sociais inundadas de tigelada, os restaurantes a vestirem a camisola, as associações e as empresas que divulgaram. Porque não estamos a promover só um doce. Estamos a promover um território, estamos a recuperar as memórias, a manter as tradições. Não é só um doce, somos todos nós! O troféu é merecido de todos os proencenses! 

A tigelada uniu um povo e a União faz a força! Isto ainda agora começou. Agora rumo a pré-final nacional! Vou lançar um desafio. Vamos criar um movimento e acordar o distrito de Castelo Branco para que a nossa região faça história e integre as Sete Maravilhas Doces de Portugal.

Estamos juntos! E tu?

#todospelatigelada #juntospelatigelada #tigeladaproencanova

08 de Julho, 2019

A importância de limpar a pele Dica da semana #1

Andreia Gonçalves

Limpar, desobstruir os poros e hidratar dão um aspeto saudável à pele e ainda protegem de danos como poluição, oleosidade e variações climáticas

A beleza começa pelo rosto e nada melhor que saber que para melhorar o aspeto da pele e da maquilhagem, basta lavá-lo. Limpar, desobstruir os poros e hidratar são passos fundamentais e dão aspeto saudável e ainda protegem de danos como poluição, oleosidade e variações climáticas.

Limpar a pele é muito importante, pois o acúmulo de sebo, sujidade e de “células mortas” na pele, facilitam o aparecimento de lesões de acne, contribuindo para a piora do quadro. O ideal é utilizar sabonetes adequados para a pele do rosto e com ativos que facilitem a remoção da oleosidade excessiva.

Devemos lavar o rosto apenas duas vezes por dia, pela manhã e à noite. Lavar em excesso prejudica a nossa pele e faz com que esta produza mais sebo para compensar a secura provocada pela limpeza em excesso, deixando o rosto com aspeto ainda mais gorduroso.  

Além disso, um rosto limpo e livre de resíduos de maquilhagem todos os dias é um passo essencial para todos os tipos de pele, mas especialmente importante para a pele oleosa, que evita a formação de acne.

Também é preciso escolher o produto para o tipo de pele. Nunca use o sabonete ou o gel de banho, prefira produtos específicos para seu tipo de pele que tratam enquanto limpam. No mercado, existem diversas variações; desde as indicadas para pele sensível, peles secas até as peles oleosas.

A temperatura da água também pode prejudicar a pele

Assim como nos cabelos, a pele do rosto também pode ser prejudicada pela temperatura da água. A água quente deixa a pele ressecada, o que estimula glândulas a produzir um excesso de óleo para reequilibrar a textura do rosto. O ideal é lavar o rosto em temperatura ambiente e secá-lo com toalha de forma delicada porque a fricção excessiva também estimula a oleosidade.

Além de cuidados diários, a pele precisa de tratamentos especiais como esfoliação, que deve ser feita semanalmente, e hidratações mais potentes, que retiram as células mortas e ajudam na renovação da pele. Este será um tema para um próximo post.

Limpar com sabões da Branquinha Cosmética Natural

É igualmente importante escolher produtos adequados, como produtos orgânicos e biológicos pois, entre muitos outros aspetos, estes produtos agem em simbiose com o metabolismo da pele, preservando o filme protetor natural da epiderme.

Um dos objetivos quando criei a marca Branquinha Cosmética Natural foi precisamente encontrar produtos eficazes, sem químicos desnecessários e com qualidades únicas que os cosméticos industriais não podem dar.

Estão disponíveis seis variantes de sabão natural, cada um deles contendo ingredientes 100% naturais, com propriedades adequadas a diferentes tipos de pele: sensível, oleosa, seca, normal. Os sabões podem ser igualmente usados no corpo. Há muitas pessoas que preferem sabão liquido por ser prático, mas pode passar o sabão na sua esponja e consegue o mesmo efeito de um gel de banho.

Apresento-vos aqui cada um deles para que possam escolher aquele que mais se adapta às vossas necessidades:

LAVANDA

Este sabão é combinado com três aromas: lavanda, erva príncipe e zimbro, aos quais se junta a argila verde que lhe dá a cor. Estes óleos essenciais são conhecidos pelas suas propriedades no combate à acne. A argila verde elimina toxinas e impurezas e favorece a renovação celular, sendo recomendada para peles normais e oleosas por ser muito eficaz a absorver o excesso de sebo.

BRANQUINHA

A cabra Branquinha que deu nome à marca é homenageada neste sabonete. O leite de cabra é um poderoso emoliente e muito suave para a nossa pele. Aromatizado com alecrim para lhe dar o cheiro rústico, contém ainda sementes de linho, que lhe confere a função esfoliante.

AMARGO DOCE

O aroma a eucalipto e laranja dá-nos uma sensação de amargo e doce ao mesmo tempo. Enquanto o eucalipto é purificante, a laranja é um excelente antioxidante. Este sabonete contém ainda mel, muito importante na hidratação da pele e argila amarela, indicada para peles oleosas e sensíveis.

CHEF

Elaborado a pensar no chef das nossas casas. Este sabonete retira os cheiros de alho e cebola das mãos com a ajuda do café moído e da combinação dos óleos essências de hortelã-pimenta, laranja e limão e ao mesmo tempo que as hidrata. 

ESTEVA

A esteva aromatiza os campos no verão, traz-nos à memória os passeios pedestres e o ar quente da terra. Esse aroma foi escolhido para este sabão, juntando uma pitada de lavanda e limão. É enriquecido com óleo de rosa mosqueta que, aliado ao poder do óleo de esteva no combate às rugas, torna este sabão único.

XISTO

O carvão vegetal ativado é conhecido desde a antiguidade pela sua extraordinária capacidade de adsorção, conferindo-lhe propriedades desintoxicantes. Promove uma limpeza profunda, controla a oleosidade e reduz o tamanho dos poros, tornando a pele mais iluminada. Aliado ao poder purificante do eucalipto, da hortelã-pimenta e da árvore do chá, este sabão vai deixar a sua pele perfeitamente limpa e macia.

Conheçam os meus produtos no facebook da Branquinha Cosmética Natural e sigam no instagram

01 de Julho, 2019

Há festa no meu bairro

Andreia Gonçalves

Os fins de tarde de verão trazem-me sempre boas lembranças. Por isso é que o verão é a minha estação preferida. Os dias quentes, os fins de tarde que se prolongam pela noite dentro, os petiscos, as refeições fora de horas, o cheiro a dias despreocupados.

Este fim de semana voltei a participar na sardinhada de São João do bairro onde morei durante a maior parte da minha vida e onde ainda moram os meus pais. Arrisco a dizer que é, talvez, a sardinhada mais antiga da vila e que existe, pelo menos, desde que me conheço. A festa do bairro significava brincadeira até altas horas da noite. Antes de sairmos de casa havia duas coisas importantes a fazer: o meu pai fazia uma fogueira com capelas e rosmaninho no quintal. Dizia que “era bom”, uma espécie de superstição associada à celebração do santo; e a minha mãe arrumava a cesta de verga com pratos, copos e talheres porque ninguém desperdiçava dinheiro em artigos descartáveis que a evolução dos tempos impôs, mas que acredito que volte ao que era. Ah! E também a minha sopa porque era uma “pisca” e não comia qualquer coisa, muito menos sardinhas!

O fumo dos grelhadores acessos que começava a invadir o bairro anunciavam que a festa ia começar e era então que a vizinhança se começava a juntar. Mesa corrida na rua, luzes, bandeirolas de arraial penduradas nas tílias do jardim, a música das cassetes que saía da aparelhagem instalada na garagem mais próxima e estava tudo pronto. Dava-se, assim, início à confraternização das sardinhas, entremeada e febras em cima dos grelhadores que saiam à vez para cima da fatia de pão ou para o prato onde tinham à espera a salada de tomate. No fim, caldo verde para dar aquele aconchego ao estomago, ou como o meu pai diz “para tapar os buracos”; melão, melancia, ou outra fruta da época que alguém trazia da horta, bolo e cevada quentinha. Era assim na minha infância e continua tudo igual. As crianças deram lugar a adultos, alguns já com as suas crianças, e os vizinhos adultos mantêm a boa disposição só que com mais rugas e um ou outro cabelo branco.

Tive a sorte de crescer num bairro onde moravam praticamente todos os meus amigos da escola. Brincar fora do recreio era diferente, mas era algo a que estávamos habituados porque aí era o nosso ponto de encontro todos os dias depois das aulas para brincar. Jogávamos à bola, às escondidas, junto ao posto de eletricidade que hoje já não existe, e andávamos de bicicleta no nosso circuito improvisado de btt construído pelos mais velhos. Não interessava se a noite estava fria como a deste sábado passado. Brincávamos até as nossas mães nos ameaçarem que se não fossemos naquele momento exato para casa íamos ter problemas.

O momento alto era saltar a fogueira, o que exigia alguma mestria. E coragem, porque não podia dar parte fraca ao pé dos meus amigos. Em fila indiana esperávamos a nossa vez. Ao mesmo tempo, íamos espreitando os saltos dos outros. Por cada salto concluído com sucesso gritávamos de alegria.

Ver saltar alguém por entre as chamas e o fumo fazia-me sentir um frio na barriga e só imaginava o que seria se alguém (ou eu) se queimasse ou caísse em cima da fogueira durante a acrobacia. Felizmente, nunca aconteceu! Só umas calças rotas, uns calções furados ou uma franja de cabelo chamuscado e um cheiro bastante perfumado entranhado na roupa, na pele e nos cabelos que acho que só saía depois de dois ou três banhos. Quando finalmente chegava a minha vez, frente a frente com o lume, a técnica incluía dar um passo a trás para tomar balanço, olhar fixamente para a chama e ir. Após o primeiro salto, a adrenalina apoderava-se de mim, esquecia o medo e voltava para o fim da fila a ansiar que chegasse novamente a minha vez.

A música ecoava em grande parte da vila e despertava a curiosidade de muitos que vinham ver o que se passava e eram sempre bem-recebidos. A festa só acabava quando o barril de cerveja estivesse vazio. Regressar ao bairro fez-me viajar no tempo. As memórias são boas e tantas que, um dia, quando tiver filhos, quero também poder construí-las com eles.